
A menina, de fato "muy hermosa", chama-se Mayara Tavares, e foi selecionada pela Unicef para participar do "Júnior 8", um evento paralelo ao encontro dos G-8 - ou será G-14? -, onde jovens trocariam idéias e ao final apresentariam um documento com as suas propostas aos líderes dos principais países do mundo. Selecionada, ressalte-se, não por sua beleza mas pela liderança que exerce em sua comunidade.
Lógico que a repercussão da foto ao redor do mundo se deu pelo caráter, digamos, pitoresco da cena. Mas nada justifica as comparações extremamente grosseiras e infelizes com o caso Berlusconi, por exemplo.
Mas o que motiva estas linhas é um outro fato, também pitoresco, na sequência deste caso. Uma grande rede de TV norte-americana se comportou de modo atípico. Ao invés de reproduzir ao infinito a mesma linha de repercussão e interpretação deste momento, seus repórteres foram em busca de informações ainda não disponibilizadas pelos outros veículos. Enfim, fez o que, em outros tempos, de um outro jornalismo, chamava-se de "apurar os fatos".
E conseguiu um vídeo hilariante, que "inocenta" Obama do pecado da luxúria. Ao menos neste caso.
Como percebeu muy apropriadamente meu camarada, o pensador Bob Gonzalez, este legítimo "tira-teima" deve ser visto e revisto com atenção. Percebam que o Obama não está impedido. Ele vem de trás, e parece-me, uma outra moça lhe dá condição de jogo.
Com a palavra, Arnaldo "a regra é clara" César Coelho:
"Vejam que o lance é realmente muito difícil pra quem está no campo, sem os mesmos recursos tecnologicos. Mas o tira-teima não deixa dúvidas: não há nenhuma irregularidade na jogada de Obama."
Galvão Bueno diria:
"Não sei não, hein, Arnaldo. Pra mim o lance continua suspeito. Ele vem de trás, disfarça ajudando a outra moça, mas deu uma olhada sim senhor!! De mais a mais, o Sarkozy está claramente impedido na jogada."
Arnaldo:
"Não, Galvão, a regra é clara. Sarkozy está irregular, mas ele não participa da jogada, não contribui para a definição do lance, logo não hove impedimento."
Galvão:
"Tá bom, Arnaldo, você é que é o comentarista de arbitragem, então você é que sabe. Mas eu ainda acho que tava impedido sim."
Voltando ao vídeo em si, achei este fato muito promissor. Posso claro estar redondamente enganado. Mas pode ser um sinal de que ainda é possível fazer algo interessante na grande mídia. Um sinal de que a grande mídia pode, se quiser, aprender - ou reaprender - muito com os novos veículos virtuais.
Tal possibilidade, ainda que tênue, não é trivial. Deve ser comemorada? Talvez. Observada com atenção, certamente. Ainda mais quando lembramos que, há poucos dias, toda a grande mídia norte-americana foi simplesmente surrada e humilhada por um site de "celebridades e fofocas", nas primeiras horas de cobertura da morte de Jackson.
Apesar de Jacko ter morrido no TMZ e no Twitter 45 minutos antes do que na CNN, é importante lembrar que o aval da mídia tradicional foi importante para a "consolidação" da notícia como verídica. Mas, curiosamente, mesmo nos dias seguintes o TMZ continuou "furando" a cobertura, impiedosamente à frente dos outros veículos.
Dois detalhes aí:
. primeiro, afinal, quantos milhões valem esse 45 minutos de vantagem, neste nosso mundinho enlouquecido?
. segundo, foi em 1991 que a CNN, com a cobertura ao vivo da I Guerra do Golfo, espancou a "mídia tradicional" da época. Nem faz tanto tempo assim. Quer dizer, faz sim. 18 anos. Estou ficando velho.
Bem, deixo aos colegas especialistas a discussão mais pormenorizada do significado do vídeo, da foto, e do poder midiático de uma moça atraente frente aos temas da pobreza e do aquecimento global.
Mas fiquei realmente muito curioso ao ver que, ao menos neste dia, uma grande rede de TV se comportou como um bom blog: apurou um novo olhar sobre o mesmo fato, e fez a cobertura de dezenas e dezenas de veículos ao redor do mundo parecer, digamos, simplória e bobinha como um copy-e-cola automático.
Ou não.
Axé!


